quarta-feira, 15 de agosto de 2012

NOTA DIOCESANA


 MENSAGEM PASTORAL SOBRE AS ELEIÇÕES 2012

Bom governante é o político comprometido com a justiça e o direito. É a vontade explícita de Deus (Jr 23,5) que envolve não somente os eleitos, mas também os eleitores. São os cidadãos com seu voto que elegem os candidatos.

Atentos ao desígnio de Deus e em consonância com a nossa missão de pastores, queremos, Bispo diocesano e Conselho de Presbíteros da Diocese de Araçatuba, dirigir uma palavra de reflexão aos irmãos diocesanos e aos cidadãos de boa vontade, neste delicado momento de eleições municipais.

É delicado este momento porque as eleições municipais afetam os cidadãos mais de perto. A maioria dos candidatos é conhecida, são parentes, amigos, vizinhos, colegas de trabalho, pessoas, em suma, de constante convívio. Esta proximidade tem aspectos positivos, mas também negativos. É valor positivo poder dialogar mais abertamente com os candidatos, conhecer seu perfil e os princípios que pautam suas condutas. É valor positivo poder conversar com mais desenvoltura sobre questões importantes, como a promoção da vida desde a concepção até seu fim natural, a centralidade da pessoa humana e suas inerentes urgências como segurança, saúde, educação, família, geração de empregos, a fidelidade partidária, a participação cidadã na política. Esta proximidade, contudo, pode vir a ser um valor negativo quando reduz ou inibe a liberdade da escolha. Pode o cidadão inclinar-se a querer votar em um candidato porque é parente ou porque faz parte de uma agremiação à qual se pertence ou porque se espera ganhar favorecimentos pessoais. Motivações estas que prejudicam seriamente o processo democrático e sustentam diretamente a manutenção dos difusos e nefastos esquemas de corrupção e de ilícitos. É bom lembrar-se sempre da advertência do apóstolo Paulo: não pode haver sociedade entre justiça e iniqüidade (2Cor 6,14).

É delicado também este momento porque as eleições municipais atingem de uma maneira bem próxima o bem estar da coletividade onde se vive. Pela atual legislação, são os municípios que administram os vários programas orçamentários que afetam diretamente a vida das pessoas. É do interesse do cidadão eleger administradores honestos, genuinamente dedicados na promoção da justiça e do direito. Imperioso se faz analisar criteriosamente e sem paixão os perfis dos candidatos ao executivo e ao legislativo, suas reais intenções, as propostas partidárias a que estão filiados e as coligações com quem pretendem levar avante seus programas. Integra o processo democrático o saudável debate sobre preferências e projetos políticos, desde que pautado pelo respeito às leis e às pessoas. Em consonância com a postura da CNBB, enfaticamente afirmamos, a Diocese de Araçatuba não apoia candidatos. Empenha-se, contudo, em formar consciências e em contribuir na educação de uma postura cidadã amadurecida.

O delicado e precioso momento das eleições municipais exige que todos os cidadãos participem de uma maneira ativa e consciente do processo. Votar não é somente obrigação cívica. É também dever que emana da caridade e da solidariedade evangélicas. Cristão consciente não se omite nesta hora. Não se constrói uma sociedade justa com omissões! Votar é um gesto de peso moral. Exige discernimento, caridade e amadurecida consciência cívica.

Confiamos, sinceramente, que os católicos, como também os cidadãos de boa vontade, se engajem neste processo. Participar ativa e responsavelmente do processo eleitoral é a maneira mais direta de prestigiarmos políticos genuinamente comprometidos com a promoção do direito e da justiça.

Araçatuba, 01 de agosto de 2012.

D. Sergio Krzywy
Bispo da Diocese de Araçatuba


Pe. Sebastião Gonçalves 
Coordenador Conselho Presbíteros

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